terça-feira, 28 de julho de 2015

Livro série

Aqui no blog vou postar toda terça-feira um trecho de um livro que vou escrever junto com vocês, A cada postagem deixem seus comentários com o que vocês estão achando da estória e sugestões para o enredo. Tudo será levado em consideração e todos vocês serão co-autores desse livro. Esse será nosso LIVRO SÉRIE. Embarquem nessa aventura!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!








Reencontro






É tão estranho saber que a gente pode não ter o que a gente deseja, apenas pelo medo de tentar.





 Capítulo 1 - A grande Mudança

Abri os olhos, porém minha vista estava embaçada, um cheiro forte de comida me despertou. Olhei para o lado, a aeromoça estava de pé com o carrinho de lanches.
- Então querida, o que vai ser? – Perguntou ela.
- Estou sem fome. – Respondi. Os comissários de bordo deveriam ser orientados a não acordar os passageiros. Bom, talvez aquilo só incomodasse a mim.
- Querida, ainda faltam duas horas para aterrissarmos, e a refeição não será servida novamente.
Peguei uma bandeja, sem ver o que era, e coloquei em meu colo. A comissária de bordo sorriu e empurrou o carrinho para as cadeiras à frente.
Peguei os talheres e comecei a comer o arroz com legumes e frango grelhado.  Só então percebi que eu realmente estava com muita fome.
Terminei rapidamente a refeição, a comissária passou ao meu lado novamente e me olhou com um ar triunfante. Pediu licença e recolheu a bandeja.
Olhei para a janela do avião e me perdi em meus pensamentos. Pensei em minha casa que eu estava deixando. Eu morava em uma pequena casa na cidade de Três Coroas no Rio Grande do Sul, com minha mãe. Levávamos uma vida modesta, minha mãe era professora e trabalhava para a prefeitura.  Não tínhamos parentes, mas isso nunca me incomodou. Nunca conheci ninguém de minha família, e nem sabia se tinha uma. Nunca conheci uma avó, um primo, um tio, ninguém.  Meu pai era assunto proibido na minha casa, então aos doze anos eu desisti de perguntar sobre ele. Eu era muito feliz, em nosso estranho modo família, afinal eu tinha minha mãe e isso me bastava.
A morte de minha mãe em um acidente de carro em Curitiba, há três semanas, me pegou de surpresa. Meu mundo desmoronou em menos de um minuto quando a polícia foi me buscar na faculdade. Quando eu fui chamada à sala da coordenação e vi os policiais parados ali pensei que minha mãe tivesse feito alguma coisa errada, quando me deram a notícia eu desmaiei e acordei na enfermaria de um hospital. Foi sem dúvida o pior momento da minha vida.
- Será que vamos demorar muito a chegar? - Perguntou o rapaz que estava ao meu lado. Ele me olhava com muito interesse, desde a hora em que eu sentei ao seu lado. Porém eu logo que sentei no avião, fechei os olhos para evitar este tipo de conversa. Certamente meus olhos abertos o estimularam a puxar papo agora.
- Não sei, mais uma hora e meia talvez. – Respondi olhando para o relógio.
- Você é do Rio? –Perguntou ele novamente. Talvez eu tivesse que ser mais ríspida para interromper aquela conversa.
- Nasci no Rio de Janeiro, mas moro no Rio Grande do Sul desde que era bebê. Então não conheço nada, nem tenho lembrança alguma.
- Seu sotaque é de carioca. – “Mas será possível? Será que alguma coisa no meu tom de voz, esta insinuando que eu tenho interesse nessa conversa? ” Pensei.
- Minha mãe era carioca, talvez seja por isso.
- É talvez. – Respondeu ele virando para a janela. Talvez percebendo minha falta de interesse.
Voltei a olhar pela janela, lembrando agora do advogado que apareceu na minha casa, duas semanas após a morte de minha mãe, dizendo que minha mãe havia deixado um testamento. Não entendi muito bem, pois nós só tínhamos aquela casa e alguns reais na conta. Porém quando ele leu o testamento eu quase desmaiei novamente. Minha mãe tinha vários imóveis, incluindo uma cobertura na Barra da tijuca, além de uma conta com muito dinheiro, mais do que se eu tivesse ganhado na Mega-Sena sozinha. Minha mãe havia me deixado também uma carta.
Abri minha bolsa e peguei o envelope dobrado. Tirei de dentro o papel amassado – durante um acesso de raiva eu amassei a carta e atirei no lixo, depois peguei, desamassei, dobrei, coloquei novamente no envelope e guardei na bolsa. Eu nunca cheguei a ler a carta até o final. – Abri a carta e comecei a ler.
Minha filha amada,
Não sei em que altura da sua vida você lerá esta carta. Espero que já esteja bem velhinha, e que esta carta não vá influenciar em nada a sua linda juventude. Porém, como sei que talvez a gente não tenha tanta sorte e que eu posso deixar este mundo antes de lhe contar detalhes importantes de nossa vida, achei então que era necessário escrevê-la. Peço desculpas por tantas coisas que eu escondi de você minha filha, mas eu nem sempre fui a pessoa que você conheceu. Tenho um passado do qual não me orgulho, e que tive que fugir para que você tivesse uma vida digna e se tornasse essa pessoa maravilhosa que você é. Não vou te contar nada sobre meu passado, prefiro que você tenha a lembrança da pessoa que fui a partir do momento em que eu me tornei sua mãe, pois sinto como se minha vida realmente tivesse começado no momento em que eu olhei seu rostinho pela primeira vez. Ah minha filha! Não há nada de que eu possa me orgulhar desde antes de você nascer, não fui uma pessoa boa e por isso nada tenho a lhe revelar sobre meu passado. Filha querida, sofro só de pensar que eu não posso mais estar ao seu lado, e mais ainda de saber que não tem ninguém que possa ampará-la. Porém, filha querida, não vou lhe dar informações sobre nossa família, eles certamente iriam revelar coisas que eu sempre tentei esconder. Por isso peço que você que não procure ninguém. Sei que não tenho esse direito minha filha, mas infelizmente tenho que te fazer esse pedido, pois sei que as revelações que lhe poderão ser feitas por estas pessoas que supostamente deveriam me amar, lhe fariam sofre e me odiar. Por isso meu amor, eu lhe imploro, não busque informações. Viva sua vida, sei que você tem um futuro lindo pela frente. Te deixo todo esse dinheiro e esses imóveis para que você possa ter uma vida confortável, não me orgulho da forma como os consegui, mas eles são seus por direito e por isso eu não mexi em nem um centavo enquanto eu pude estar ao seu lado e tive forças para trabalhar e lhe dar um futuro. Por favor, querida, não procure seu pai, isso nada lhe traria de bom. Saiba querida que eu te amo muito, e que eu daria qualquer coisa para enxugar essas lagrimas que brotam de seus olhos agora. Mas se Deus quis que fosse assim ele sabe de todas as coisas, saiba que de onde eu estiver eu estarei olhando por você.
Te amo muito.
Mamãe
- Você está bem? – Perguntou o rapaz ao meu lado, puxando assunto novamente.
Enxuguei os olhos, e guardei a carta na bolsa antes de responder.
- Sim, estou.
- Posso perguntar por que você está chorando?
- Não. – Respondi e olhei novamente para a janela.
- Você é sempre grossa assim com as pessoas que querem te ajudar? – Agora ele tinha ultrapassado os limites.
- Só com as pessoas que me incomodam. – Respondi com frieza.
- Eu estou te incomodando? – Aquele cara era inacreditavelmente irritante.
- Muito. – Respondi. E olhei para a janela novamente.
- Qual é o seu nome? – Perguntou o chato. Eu olhei para ele incrédula, mas seu ar era de quem estava se divertindo. Os olhos azuis me encarando e um leve sorriso nos lábios revelando seus dentes muito brancos. Os cabelos muito loiros que pareciam raios de sol, o rosto perfeito. Ele era tão lindo que aquilo me deixou com mais raiva ainda.
- Não vejo por que isso iria lhe interessar.
- Só curiosidade, você não pode falar?
- Posso, mas não vou.
- Está fugindo da polícia, por que ser for isso pode ficar tranquila que eu não vou te entregar. – Respondeu ele com sarcasmo.
- Não, só não quero manter esta conversa.
- Aí, essa doeu. Sou tão chato assim? – Perguntou ele fazendo beicinho, o que o deixava ainda mais lindo, se é que isso era possível.
- Você não imagina o quanto. – Respondi tentando parecer ameaçadora.
- Aposto que eu posso adivinhar. – Falou o pentelho voltando a sorrir. Como eu não respondi ele continuou. – Aposto que é Afrodite.
- Por quê? – Perguntei fazendo uma careta.
- Bom, Afrodite é a Deusa da beleza e do amor. E você é tão linda, e já me deixou apaixonado mesmo com toda a sua grosseria, que eu imaginei que só poderia ser esse seu nome.
Virei para o corredor tentando me esconder do seu olhar. Não acreditava que aquele homem tão lindo estava me paquerando. E o pior, não acreditava que uma cantada tão ruim e tão forçada, tivesse me feito corar.
- Vou ao banheiro. – Falei sem olhar para ele e me levantei.




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